Sem Metro Há 20 Anos

 In Memória, Saudade

Sem Metro há 20 anos!

por Eduardo Miguel

Um café com Nuno Abrunhosa

Quando surgiu o jornal “Metro” em 1987, ainda só se falava do ansiado metropolitano.
Completaram-se em março deste ano, duas décadas que o “Metro” publicou a sua última edição.
Numa linha irreverente, provocadora e vanguardista, foi a primeira publicação de distribuição gratuita a circular na movida da Invicta e da Nação.
Avidamente procurada nos pontos de distribuição, era um objecto de culto e de colecção e além de conteúdos culturais e artísticos, promovia roteiros e lugares para “ir, ver ou fazer”!  A publicidade e alguns apoios financiavam o projecto.
Foi em 1987 que Nuno Abrunhosa e Luís Freitas, criaram o “Metro”, influênciados pelas suas experiências vividas em Hamburgo e em S. Francisco, respectivamente, lugares fervilhantes de cultura e movida, eram naturalmente conduzidos pelos roteiros existentes.
Por cá, emergiam esses ambientes em meados dos anos 80, e havia necessidade de promover eventos e a programação dos bares e discotecas. “Anikibóbó”, “Meia-Cave”, “Griffon`s”, “Swing”, “Pinguim”, “Indústria”, entre outros, eram presenças habituais. A imagem gráfica era bem cuidada.
Os personagens do meio cultural e artístico também tinham o seu devido destaque.
A redacção do jornal “Metro” funcionou inicialmente num exíguo espaço situado na Rua do Sol, onde no “laboratório” se misturavam letras de decalque da “Mecanorma” a “Repromaster”, provas e fotolitos antes de se converter às novas tecnologias de edição electrónica. Foram necessárias longas noites, conta Nuno Abrunhosa, “muitos brainstormings” quase sempre muito criativos e produtivos.

Enfim, um compromisso entre trabalho e lazer.
De periodicidade mais ou menos quinzenal, em 56 edições contou com muitos colaboradores como Paulo Abrunhosa, António Eça de Queirós, João Almeida, Joaquim Castro Caldas, entre outros mais ou menos fieis.
A inveja da concorrência que entretanto surgiu na imprensa nacional, começou a recrutar elementos do projecto. O próprio “Metro” esteve para ser adquirido  e depois de um período de ausência, o “Metro” regressou e nas últimas “estações”, surgiu como suplemento integrante do jornal “O Público”.
Em novembro próximo, na terceira edição de “Um Objecto e seus Discursos por Semana” as memórias do “Metro” vão ser revisitadas. A não perder!

Sem Metro Há 20 Anos
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